Longa-metragem do Instituto Querô e Querô Filmes ganha prêmio na Mostra Internacional de São Paulo

by Instituto Querô

  • Postado em 1/11/2018

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É REAL! O primeiro longa-metragem do Instituto Querô e da produtora Querô Filmes foi premiado com Menção Honrosa do Júri em um dos maiores festivais de cinema do país: a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo! OBRIGADO aos parceiros, amigos, equipe, ao diretor Alex Moratto, os atores Christian Malheiros e Tales Ordakji por toda a dedicação e, principalmente, aos jovens das Oficinas Querô que são a produção, a alma e inspiração desse projeto!

O longa-metragem “Socrates”, que vem representando o Brasil em festivais internacionais foi um dos destaques da 42ª Mostra Internacional de São Paulo na categoria Competição de Novos Diretores, durante o mês de outubro. Desde o dia 20 de setembro, quando estreou mundialmente no LA Film Festival, em Los Angeles (Estados Unidos), o longa já foi selecionado para o Festival Du Nouveau Cinéma, em Montreal (Canadá) e para o Woodstock Film Festival (Estados Unidos), onde levou o prêmio “Ultra Indie Award“, entregue para filmes realizados com menos de 200 mil dólares. Em novembro exibido no Festival do Rio e também no Thessaloniki Internacional Film Festival, na Grécia, principal vitrine para cineastas no sudeste europeu.

O longa-metragem de ficção relata a trajetória de um jovem negro, homossexual de 15 anos, morador da periferia da Baixada Santista, litoral de São Paulo, que precisa sobreviver por conta própria após a morte de sua mãe.

“Em 2009, fui voluntário no Instituto Querô no Brasil. A dedicação desses jovens para buscar uma vida melhor, independente de suas realidades, me surpreendeu e me influenciou a fazer filmes sobre essas pessoas, moradores de comunidades, raramente representadas no audiovisual. “Socrates” é um filme que representa essas comunidades e os brasileiros que me tornaram o cineasta que sou hoje. Além de falar dessas pessoas, o filme também é muito pessoal para mim e  se passa num contexto atual do Brasil, contando uma história universal sobre a coragem para viver”, explica Moratto.

“Socrates” é uma produção de jovens de 16 a 20 anos das Oficinas Querô, projeto social idealizado pelo Instituto Querô há 12 anos, Organização Não Governamental de Santos que utiliza a ferramenta do audiovisual para capacitar jovens de baixa renda e transformar suas realidades por meio da sétima arte.

Os atores

No longa, Christian Malheiros interpreta Sócrates. O ator, formado pela Escola de Artes Cênicas de Santos (SP) fo escolhido entre centenas de candidatos para o papel principal. Em 2018, Malheiros estreou no teatro em São Paulo no FEDRA de Jean Racine, dirigido por Roberto Alvim.

Tales Ordakji que interpreta Maicon é formado em teatro pelo SENAC-Santos e pela Escola de Artes Cênicas de Santos. Também faz parte do TEP, o grupo de teatro mais antigo de Santos, que tem como foco o teatro experimental. Suas apresentações teatrais foram selecionadas para competir em vários festivais brasileiros, conquistando diversos prêmios e indicações.

“Socrates” marca a estreia dos dois atores no cinema.

O filme

Foto Still

Com roteiro e direção do brasileiro-americano Alex Moratto, jovem cineasta conhecido por seus curtas-metragens premiados em festivais internacionais, a ideia para o filme surgiu após se voluntariar no Instituto Querô em 2009.

“Nasci nos Estados Unidos, de mãe brasileira e pai americano. Sempre tive muito contato com o Brasil e minha família em São Paulo. Em 2009, me voluntariei nas Oficinas Querô e me surpreendi com a trajetória de vida e os valores dos moradores das comunidades periféricas locais”, relembra o diretor.

Em 2016, Moratto voltou ao Brasil com 20 mil dólares no bolso e um roteiro de um filme, com a proposta de produzir junto com os jovens do projeto o seu primeiro longa-metragem, e também o primeiro do Instituto Querô, em comemoração aos 10 anos das Oficinas Querô. Com poucos recursos financeiros para a produção, os 45 jovens que estavam em capacitação, entre 16 e 20 anos, além da oportunidade de assumirem as diversas funções no set de filmagem, seguiram na captação direta de recursos, alimentação e parceiras que topassem embarcar nesse sonho.

Foram mais de 500 pessoas que participaram dos testes de elenco, (produzidos pela jovem Mayara Batista – 16 anos na época) e todos da Baixada Santista, com o intuito de representar o Litoral Sul de São Paulo no cinema, desde os atores, os cenários e profissionais do set de filmagem. Entre esses profissionais, jovens capacitados em diferentes turmas das Oficinas Querô.

“Lembro até hoje do desafio que foi participar pela primeira vez da produção de um longa-metragem. Havia acabado de passar por uma experiência como produtora de elenco junto com a minha turma das Oficinas Querô, e pude estender esse aprendizado na produção do “Sócrates”, liderando os testes de elenco na região. Sem dúvida isso só me fortaleceu enquanto profissional e até me fez conquistar uma vaga de trabalho no próprio Instituto Querô, como assistente de produção, onde estou até hoje”, relembra a jovem Mayara Batista, atualmente com 18 anos.

Gustavo Sandoval, formado na turma de 2016, foi Assistente de Fotografia e relembra a importância do projeto em sua formação.

“Não esperava participar da produção de um longa já no meu segundo ano de Oficinas Querô. Sem dúvida, fazer parte do “Sócrates” ajudou na construção da minha carreira profissional. Hoje curso faculdade de Cinema e também fui contratado pelo próprio Instituto Querô como parte da equipe de arte-educadores”, comenta o jovem que entrou no projeto em 2015 com 18 anos, e atualmente está inserido no mundo do trabalho por meio do projeto Querô na Escola, ministrando oficinas de cinema em escolas públicas.

Saymon Souza, de 20 anos, também estava em capacitação pelo projeto no ano de gravações do longa-metragem.

“Como a equipe era pequena para um set de longa, acabei ajudando em diferentes áreas como assistência de produção, locação, elenco e direção. Foi uma experiência importante pra mim pois consegui bagagem para ingressar na profissão”, comenta o jovem que é natural  do Maranhão e atualmente produtor audiovisual, realizando oficinas de cinema com celular, projeto que nasceu junto com a sua turma das Oficinas Querô em 2016, após realizarem no projeto uma série documental toda filmada com smartphones.

Para a coordenadora do Instituto Querô, Tammy Weiss, estrear mundialmente em um festival dessa importância só confirma o grande potencial da juventude no cinema brasileiro, além da transformação social que projetos como o Querô podem realizar.

“Nosso trabalho enquanto Instituição é apresentar aos jovens as infinitas possibilidades que o audiovisual pode trazer a eles, de enxergarem seus talentos e chegarem a diferentes lugares por meio do cinema. Temos 60 prêmios em festivais, todos os filmes produzidos pelos jovens do projeto que, na maioria das vezes, viajam a estes festivais representando o Instituto Querô, o filme e principalmente a juventude! Não imaginávamos que um longa-metragem de baixo orçamento chegaria tão longe e devemos essa projeção ao talento dos nossos meninos! Sócrates representa não só o trabalho deles, mas também a produção audiovisual do nosso país e os talentos da nossa região”, comenta a coordenadora.

Foram mais de 30 dias de filmagens, entre 2016 e 2017 e após as gravações, o filme foi contemplado com o Edital de Finalização de Longa-Metragem do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, contando com a O2 Pós e Effects Filmes na etapa de finalização.

As Oficinas Querô

Diretor Alex Moratto e jovens das Oficinas Querô

Diretor Alex Moratto e jovens das Oficinas Querô

Em 2006, após a gravação do longa-metragem “Querô”, do cineasta Carlos Cortez e da produtora Gullane Filmes, 40 jovens das áreas mais carentes da região portuária de Santos deram início à primeira turma das Oficinas Querô. Desde então, anualmente, 40 jovens moradores do Litoral Sul de São Paulo ingressam no projeto, gratuitamente, tendo a oportunidade de transformar suas realidades por meio do cinema.

Nesses 12 anos de história, já foram 113 filmes produzidos no Instituto Querô, 60 prêmios conquistados e mais de 400 jovens capacitados, 40% deles inseridos no mundo do trabalho audiovisual da Baixada Santista, São Paulo e até Europa.

Uma dessas jovens é a Juh Guedes, capacitada na turma de 2008 e há 6 anos fotógrafa profissional.

“Tinha 18 anos quando entrei nas Oficinas Querô e não sai da área desde então. Ser fotógrafa foi um sonho que surgiu no colegial e na época não havia cursos em Santos, até que descobri o Querô. Não consigo imaginar como seria minha vida sem ter passado pelo projeto. Em uma das aulas, comecei a fotografar, mandei muitos e-mails, até que começaram a me procurar e não parei mais”, relembra a jovem que já trabalhou para importantes marcas como Natura, Itaú, Revista Vogue e artistas como Gloria Groove e Sabrina Sato. No longa “Sócrates”, foi responsável pelo figurino.

Outra jovem que é destaque no projeto é a Kamilli Semenov, de 20 anos. Assistente de direção no longa-metragem “Socrates”, a jovem capacitada nas Oficinas Querô de 2013 e 2014 se destacou na região após ganhar 5 prêmios com o curta-metragem “Tempo é Morfina”, produzido junto com sua turma das Oficinas Querô em 2014, entre eles o de Melhor Filme e Melhor Direção, ao lado do seu colega de turma, Daniel Queija.

“Sem dúvida, o destaque que o “Tempo é Morfina” ganhou foi importante para seguir na profissão. Com o filme, pude viajar para outros estados exibindo o curta e representando o projeto, além de trabalhar ao lado de um profissional do setor pois o roteiro foi feito pelo cineasta Rafael Aidar, que foi também nosso tutor de direção na época”, relembra a jovem, que hoje segue como produtora audiovisual.

As Oficinas Querô têm duração de dois anos. No primeiro, os jovens têm contato com o audiovisual profissional, assistindo filmes, adquirindo referências e produzindo de 2 a 4 curtas-metragens no ano, sendo uma ficção e os demais, documentários. São eles os responsáveis pelo roteiro, direção, gravação e edição dos curtas-metragens, após passarem durante o ano inteiro por aulas ministradas por profissionais da área. Além disso, passam também por uma formação cidadã, com aulas de Humanismo, Coletivo e Empreendedorismo. No segundo ano, passam por experimentações no mundo do trabalho ao serem solicitados como assistentes em coberturas de evento da Instituição e projetos locais, além da gravação de mais um curta-metragem. Após os dois anos de formação, os jovens passam a ser solicitados para trabalhos no setor audiovisual por meio da Produtora Escola, incubadora profissional liderada pela produtora Querô Filmes.

Todo esse trabalho se mantém por meio de parcerias com empresas e instituições desde a sua formação. A partir das Oficinas Querô, o Instituto passou a desenvolver outros projetos, tendo o cinema como ferramenta principal e os jovens já capacitados trabalhando como arte-educadores, como é o caso do Querô na Escola – oficinas de cinema dentro das escolas públicas – e o Querô Comunidade – oficinas de cinema em comunidades e morros.

A Instituição conta também com a Querô Filmes, parceira na co-produção do longa-metragem “Socrates”. Produtora audiovisual de Santos, foi formada a partir de jovens capacitados nas Oficinas Querô em 2008, e desde então, faz parte do setor audiovisual, com projetos autorais e em parceria, inserindo jovens na formação das equipes de filmagem e contribuindo para inserção no mundo de trabalho.

Em 2016, ano de gravação do longa-metragem “Socrates”, o projeto mostrou-se consolidado na região ao receber 735 inscritos nas Oficinas Querô, recorde de interessados desde a sua criação. Sendo assim, o Instituto Querô se fortalece anualmente, mostrando a força do cinema e tornando-se referência de escola social de audiovisual, documentado pela BBC e reconhecido pelo UNICEF. Mais informações nas redes sociais: Facebook, Instagram e Youtube.

O diretor

Alex Moratto é um cineasta brasileiro-americano. Seus curtas-metragens premiados foram exibidos em festivais internacionais de cinema como o Film Independent Directing Lab Fellow, em Los Angeles (EUA) e NC Arts Council Artist Fellow, na Carolina do Norte (EUA), além de participar com um projeto no Sundance Creative Producing Labs (EUA). É formado em cinema pelo UNC School of the Arts (EUA), onde foi um bolsista Kenan Excellence e vencedor do prêmio DGA Student Film Jury Award em seu filme de conclusão de curso.

A Distribuidora O2 Play 

A O2 Play é dirigida por Igor Kupstas sob a tutela de Paulo Morelli, sócio da O2 Filmes, e faz parte do grupo O2, que tem como sócios também o cineasta Fernando Meirelles e a produtora Andrea Barata Ribeiro. Em atividade desde 2013, a O2 Play se diferencia das demais distribuidoras por trabalhar além do cinema, TV e vendas internacionais, o VOD (Video on Demand), como uma distribuidora digital. Possui contratos com plataformas como o iTunes, Google Play, Netflix, NOW, Claro Vídeos, Vimeo, ofertando além de conteúdos longa-metragem e seriados também serviços de delivery (Encoding).

 


Produtora Querô Filmes

O Instituto

O Instituto Querô é uma OSCIP, que apoiada pelo UNICEF utiliza o audiovisual como ferramenta para estimular talentos, e ampliar horizontes profissionais para jovens em situação de risco social.

Em nossas oficinas promovemos a inclusão cultural, com aulas de cidadania, humanismo e desenvolvemos o empreendedorismo, resultando em jovens mais conscientes e participativos.