Jovem do Querô conta sobre sua ida ao festival Curta Taquary, em Pernambuco

by Instituto Querô

  • Postado em 27/04/2018

Curta Taquary 2018 (7)

Texto de Vitória Felipe (diretora do curta ANA, das Oficinas Querô 2018)

Ao todo foram 9h30 de carro, 6h de avião e 19h de aeroporto nessa viagem. Acredito que todos nós carregamos um pouco de solidão conosco e dentro de todas essas horas seria inevitável ela não estar presente, porém para quem faz Cinema – a arte do coletivo – sempre carrega consigo toda a equipe.

Nos meus três dias no Festival Curta Taquary me lembrei de cada um que integrou a equipe do Ana, de cada um que contribuiu para o processo. Lembrei de todas as fases de pesquisa, de fazer o roteiro, de pré-produção, de set, de edição. Me lembrei também da Vitória criança que também já foi a Ana. É maravilhosa essa evolução daquela menina que não se identificava para uma mulher que levanta bandeira e que junto com uma galera pesadona realizou um filme sobre isso. É mais maravilhoso ainda ver as pessoas assumindo seu cabelo natural dentro da equipe, ver as pessoas revendo seu discurso, suas atitudes, tentando mudar seu arredor.

Depois de tanto trabalho, de tanto esforço para fazer esse filme sair do papel de forma legitima, respeitosa e artística, viajar para Pernambuco e ver pessoas de outro estado assistindo e debatendo o tema foi a maior recompensa que poderíamos ter ganho! Os prêmios de Melhor Atriz, Melhor Fotografia e Melhor Roteiro também nos trouxeram muita alegria, além de confiança e motivação de que estamos no caminho certo. Mas acima de tudo, fizemos o Ana para o mundo, para ser visto e é sensacional ver ele alcançando novos espaços. Espero que esse seja só o primeiro de muitos que virão.

Viajar foi maravilhoso, ainda mais para mim, moradora de São Vicente, que o lugar mais distante que visitei foi Peruíbe. Andar de avião pela primeira vez, ter que se virar no aeroporto, são experiências que me amadureceram e sem dúvidas é isso que o Querô faz conosco.

A cidade de Taquaritinga do Norte é linda! O festival tem um tamanho e organização surpreendentes. Eles fornecem suporte de alimentação e hospedagem para os realizadores, e isso me lembrou de importância de políticas públicas que proporcionem verbas estaduais e nacionais para o incentivo da cultura. Além disso eles fazem itinerância de filmes pelas escolas da região, esse ano foi exibido “Menina bonita do laço de fita” e “Lápis de cor”, e a partir dos debates que os filmes levantam eles criaram um campeonato de redação e desenho. Gerar público local, incentivar debates, estimular as crianças a produzirem, ressaltar a cultura local são ótimos exemplos de como festivais podem acontecer.

As mostras trouxeram filmes ótimos e trocar figurinha com os realizadores é fundamental para me fortalecer enquanto artista e expandir os horizontes enquanto pessoa que quer fazer audiovisual. Tomei contato com um outro universo, uma galera da pesada que tá fazendo cinema de qualidade, uma galera do sertão que tá na cena do audiovisual.

Para os organizadores do festival, para os realizadores presentes, para nós, jovens do Querô, lembro a frase do cineasta Glauber Rocha: “a arte não é só talento, mas sobretudo coragem” e digo que vejo todos vocês, todos nós repletos de coragem. Seguiremos! Viva o Ana, viva o cinema negro, viva o audiovisual brasileiro e vida longa ao Festival Curta Taquary. Obrigada a todos que me possibilitaram essa experiência!

A Vitória Felipe também foi entrevistada pela revista O Grito. Leia na íntegra: https://goo.gl/dxijT2


Produtora Querô Filmes

O Instituto

O Instituto Querô é uma ONG, que apoiada pela UNICEF utiliza o audiovisual como ferramenta para estimular talentos, e ampliar horizontes profissionais para jovens em situação de risco social.

Em nossas oficinas promovemos a inclusão cultural, com aulas de cidadania, humanismo e desenvolvemos o empreendedorismo, resultando em jovens mais conscientes e participativos.