Jovem do Querô conta como foi participar do Festival Internacional de curtas-metragens de São Paulo

by Instituto Querô

  • Postado em 6/11/2018

Exibição ANA - Festival Internacional de Curtas de SP (3)

Texto de Vitória Felipe (diretora do curta ANA, das Oficinas Querô 2018)

“São Paulo. Não tão longe de São Vicente. Perto de casa. Lugar conhecido por nós do cinema como o mundo das possibilidades. Lugar onde as coisas acontecem.

Não foi diferente nessa ida a São Paulo, para participar do Festival Internacional de Curtas-Metragens (22/ago a 02/set). Voltamos com uma menção honrosa da TV Cultura, novas amizades, contatos profissionais, muito orgulho do Querô e da nossa equipe e com mais gás ainda para seguir no caminho do audiovisual.

Nos 4 dias pudemos comparecer ao Curta Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo e também da Mostra Estéticas Negras: Periferia no Centro, realizada pela Ação Educativa em parceria com o Bruno Galindo.

Dessa vez fomos eu e a Alexia Cassiano que fez Direção de Produção do ANA. Diferente de Taquaritinga do Norte, São Paulo tem um rotina agitada e louca, foi difícil nos acostumar de primeira, olhávamos no mapa a distância de um local e imaginávamos que levaria uns 30 minutos para chegar e no fim demorava o dobro para mais. Agora entendemos o porquê dizem que em São Paulo você sempre está atrasado.

O Kinoforum promoveu duas exibições do ANA com debate logo em seguida, o que para nós realizadores é o momento de mais empolgação e satisfação, conversar com o público sobre o filme, poder responder perguntas e ouvir suas diferentes interpretações, e além de tudo assistir a outros filmes e conversar com os seus realizadores.

Exibição ANA - Festival Internacional de Curtas de SP (4)Agradeço imensamente a equipe do festival, que foi de um carinho e uma recepção enorme, as palavras de carinho e incentivo da Amanda Pó e da Cecília Pedroza ressoam em mim todas as vezes que a insegurança do caminho bate. O Kinoforum também fez outras exibições, mas não foi possível comparecer a todas, mas o ANA foi exibido no cinema da USP, em dois pólos da Universidade São Judas (em Santos e em SP) e está sendo negociada sua exibição pelo canal TV Cultura. Esse é o sonho impossível se realizando.

A presença na Mostra Estéticas Negras foi fortalecedora. Encontrar pessoas como o Bruno Galindo e o Vinícios Silva, Diretor do curta Deus (ao qual fiquei encantada e faço forte recomendação) foi importante para entender mais sobre o cenário do cinema negro em SP.

Receber prêmios é uma das formas de concretizar que fizemos um bom trabalho, ainda mais se formos analisar como a curadoria dos festivais reflete preconceitos, mas ainda é uma forma de reconhecimento, que para nós, jovens, iniciantes, ainda é importante.

Algumas pessoas desacreditam de nós, às vezes nós mesmos desacreditamos, para alguns é só uma menção honrosa, para alguns é só mais um festival. Mas para nós é algo grande, muito grande, é o nossos trabalho chegando em lugares que nem imaginávamos, é o nosso filme fomentando debates sobre racismo e criando situações de reconhecimento.

Agora em novembro, seguimos com o filme para o festival Primeiro Plano, em Juiz de Fora, e a Alexia irá para o Rio de Janeiro exibir na unidade do Sesc de lá.

Agradeço imensamente a oportunidade de ter feito parte desse projeto, não só por me inserir no mundo do cinema, mas por dar imagem, voz, som e corpo a essa história. Todos os dias que exibimos o ANA nas escolas públicas, percebo como é necessário esse debate e como ainda temos que avançar. Resistência é a palavra quando falamos de racismo e questões sociais. Não desistir jamais, pois precisamos ser vistos e ouvidos. Se nos calamos, a sociedade nos transforma em asterisco!


Produtora Querô Filmes

O Instituto

O Instituto Querô é uma OSCIP, que apoiada pelo UNICEF utiliza o audiovisual como ferramenta para estimular talentos, e ampliar horizontes profissionais para jovens em situação de risco social.

Em nossas oficinas promovemos a inclusão cultural, com aulas de cidadania, humanismo e desenvolvemos o empreendedorismo, resultando em jovens mais conscientes e participativos.